Fósforo e seu impacto nos recursos hídricos

O fósforo é um nutriente essencial para a vida. No entanto, quando presente em excesso nos corpos hídricos, pode se transformar em um grande vilão ambiental, causando sérios danos à qualidade da água e à biodiversidade.

Este artigo explica o problema do fósforo em excesso, os métodos mais utilizados para removê-lo em Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e como escolher a melhor estratégia para sua operação.

O PROBLEMA: EUTROFIZAÇÃO E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Quando o fósforo é lançado em quantidades elevadas nos efluentes, transforma-se em um poderoso fertilizante para algas e plantas aquáticas. Esse processo, denominado eutrofização, pode causar:

  • Crescimento acelerado de algas (florações algais);
  • Redução do oxigênio dissolvido na água;
  • Mortalidade de peixes e outros organismos aquáticos;
  • Alterações no equilíbrio ecológico do corpo hídrico; e
  • Impactos no abastecimento público e nas atividades recreativas.

A Resolução CONAMA nº 430/ 2011 estabelece limites para o fósforo total no lançamento de efluentes, sendo ≤ 1,0 mg/L para corpos de água Classe 2. Cumprir esse limite é essencial para evitar impactos ambientais e garantir conformidade legal.

COMO REMOVER O FÓSFORO EM ETE’S?

A remoção do fósforo é um dos maiores desafios no tratamento de efluentes. As duas abordagens mais utilizadas são:

1 . REMOÇÃO QUÍMICA

Como funciona: 

Consiste na adição de sais metálicos, como: cloreto férrico, sulfato de alumínio ou policloreto de alumínio (PAC). Estes reagem com o fósforo, formando compostos insolúveis que se depositam e são removidos junto ao lodo.

Vantagens:

  • Alta eficiência, mesmo com variações na vazão ou concentração do efluente; e
  • Redução rápida da concentração de fósforo.

Desvantagens:

  • Maior geração de lodo; e
  • Custos contínuos com reagentes.

2. REMOÇÃO BIOLÓGICA:

Como funciona:

Utiliza micro-organismos acumuladores de polifosfato (PAOs) que absorvem e armazenam o fósforo dentro de suas células. Para isso, o sistema alterna condições anaeróbias e aeróbias, estimulando o metabolismo dos PAOs.

Vantagens:

  • Reduz o consumo de produtos químicos; e
  • Menor custo operacional a longo prazo.

Desvantagens:

  • Maior complexidade operacional; e
  • Eficiência sensível a variações na qualidade do efluente e temperatura.

QUAL MÉTODO ESCOLHER?

A decisão depende de alguns fatores, tais como:

  • Tipo de efluente: doméstico, industrial ou misto;
  • Limites legais definidos pelo órgão ambiental competente;
  • Infraestrutura existente na estação; e
  • Custo de implantação e operação.

Em muitos casos, a solução ideal consiste em combinar processos biológicos e químicos, garantindo maior estabilidade e eficiência na remoção do fósforo. Controlar o fósforo é mais do que uma exigência legal, é um compromisso com a saúde dos ecossistemas aquáticos. 

Uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) bem projetada e operada não apenas atende aos padrões ambientais, mas também protege rios, lagos e sua biodiversidade. Se a sua operação precisa atender limites rigorosos de fósforo, avalie junto a um profissional especializado qual tecnologia é mais adequada para o seu empreendimento.